A alta do euro: porque o real não para de ser desvalorizado?

Você que está de mudança para a Itália, ou de viagem marcada, deve estar se perguntando: Quando o euro vai parar de subir?


Recebo essa pergunta frequentemente, pois muitos dos meus leitores e seguidores das redes sociais estão com passagens compradas para a Itália, apenas esperando a reabertura das fronteiras para se mudarem para cá. E muitos deles ainda não fizeram a conversão do real para euro, tendo em vista a desvalorização do real desde o início da pandemia do coronavírus.


E, entre as perguntas feitas, é se existe uma previsão para que o valor se estabilize, se a troca da moeda deve ser feita agora ou nos próximos meses etc. Para entendermos melhor a real situação, devemos falar sobre alguns pontos específicos.


No início do ano, o euro vinha seguindo um valor parecido com o de 2019, seguindo na faixa dos R$ 4,50, com a chegada da pandemia, tivemos um aumento considerável, elevando esse valor para mais de R$ 6,50. Claro que esse aumento se deve a uma série de fatores, e recomendo que você leia artigos e notícias de canais especialistas no assunto, mas uma observação deve ser feita: não é o euro que não para de subir, e sim o real que não para de desvalorizar.


Uma das explicações atuais para a desvalorização do real é aquela que envolve os fatores políticos e econômicos do Brasil, que explicam o porquê que o mundo não quer muito os reais. Além disso, outros fatores (internacionais) colaboram para a desvalorização da moeda, como: a pandemia, claro, a redução sucessiva da Selic a patamares mínimos históricos, a guerra comercial entre Estados Unidos e China, a conclusão do Brexit e os conflitos no Oriente Médio. Um ponto importante a ser destacado é sobre a questão da taxa de juros: na prática, o mercado brasileiro nunca viveu juros tão baixos; historicamente, o país era atrativo para investidores que tomavam dinheiro emprestado no exterior e aplicavam no Brasil, de olho na diferença entre as taxas de juros. Na nova realidade, a perspectiva é que menos dólares entrem no Brasil, o que, pela lei da oferta, valoriza o preço da moeda americana.